“A última lembrança que tenho dela é seu sorriso afável, suas mãos enrugadas em minha face e seu olhar compassivo.
Não nutri na memória a última imagem sua: semblante gélido na moldura sem vida. Aquela não era minha mãe.
Minha mãe, mulher forte, cheia de graça e vida. Irradiava luz por onde quer que ela passasse. A bondade transbordava-lhe a alma.
Mulher brava, inteligente, trabalhadora, seu valor excedendo todas as riquezas do mundo. Ela sempre foi o meu ideal de mulher. Bela por dentro e por fora, meu porto seguro, lugar de paz onde sempre tive acalanto.
Meu amor por ela jamais acabará. Sinto muito no meu coração a ausência dela, mas sei que onde quer que ela esteja não deixará de velar por mim.
Não há meios de se estancar a dor e a tristeza. Sou grato a Deus que me deu a graça de ter minha mãe comigo até o momento do fim. Amém.“
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Quando o passado nos chama
E insiste em nos levantar sua voz
Clama o pecado de outrora
Ferida no peito se refaz
Angústia vem com calma
E quer tomar conta
Da vida, do presente, do futuro
Trazendo tudo que ficou para trás
Mas se do meu passado me envergonho
Esses sentimentos voltarão jamais
Levanto-me não cedo à dor
Não serei como antes
Embora não saiba quem sou
Vivo a vida buscando o sentido
Para o passado às vezes triste e de dor
Meu presente encho de esperança
Por que felicidade já fui encontrar
De meus lábios, hodierno, nova canção brota
Brota da satisfação de hoje te amar
E insiste em nos levantar sua voz
Clama o pecado de outrora
Ferida no peito se refaz
Angústia vem com calma
E quer tomar conta
Da vida, do presente, do futuro
Trazendo tudo que ficou para trás
Mas se do meu passado me envergonho
Esses sentimentos voltarão jamais
Levanto-me não cedo à dor
Não serei como antes
Embora não saiba quem sou
Vivo a vida buscando o sentido
Para o passado às vezes triste e de dor
Meu presente encho de esperança
Por que felicidade já fui encontrar
De meus lábios, hodierno, nova canção brota
Brota da satisfação de hoje te amar
domingo, 10 de agosto de 2008
Amar é no cotidiano
Amar é...
Tolerar a tensão pré-menstrual dela
Suportar a ressaca dele
Aturar o mal humor mútuo pela manhã
Amar é...
Ter que abaixar a tampa do sanitário de madrugada para fazer xixi
Se sacrificar ao levantar a tampa do vaso para mijar
Manter a tampa erguida sempre para poupá-los
Amar é...
Desejar a gostosa secretária do chefe, conseguir sair com ela mas não marcar uma segunda vez pois não deseja manter uma relação extraconjugal.
A mulher recusar a proposta de jantar de negócios sob o tema “aumento de 50% no salário” com seu gerente pra eviar ocasião de propostas dúbias e se contentar com o aumento anual de 7%.
É ambos dormirem com a cabeça tranqüila, pois fizeram sua parte devida para o bem do casal!
Amar é...
Ele poupar durante meses o dinheiro para realizar o mega churrasco para a galera e ainda assim ter a fatura do cartão para pagar por 12 meses.
Ela estudar, trabalhar e arrumar a casa, e ainda arrumar a bagunça extra pelo churrasco que fora realizado no final de semana anterior. Isto quando ela pediu que o churrasco ficasse para depois de suas provas da faculdade...
Amar é...
Relevar o mal humor dela pois a casa está de pernas para o ar.
Ser paciente com ele no sofá assistindo à TV enquanto se quer tirar manchas de molho barbecue que estão na parede atrás dele.
Amar é...
Casar apesar dos amigos dele terem-no alertado que essa seria a maior besteira de sua vida
Ela não se descasar quando todas as suas amigas estão lindas, felizes e divorciadas!
Amar é...
Ela saber que a vida longe dele seria tranqüila e que assim poderia finalmente encontrar aquele partido lindo, inteligente e milionário!
Ele saber que sem ela poderia ressucitar sua vida social e voltar a se encontrar com as "amigas" para um chopp.
Amar é...
Estar feliz ao lado de quem se ama apesar das circunstâncias.
Superar os impasses por mais delicada ou irritante que seja a situação para juntos permanecerem.
Amar é
Dizer sim aos instintos primitivos, mas salpicá-lo de convenções sociais necessárias à manutenção da vida humana na Terra.
E morar junto, estar junto, casados legalmente ou não, é namorar por mais de três anos, por mais de dois ou um ano, e não projetar um dia de sua vida sem que aquela outra pessoa esteja ao seu lado.
É fazer sonhos e projetos para futuro a longo prazo sabendo quem será sua companhia para todas as horas.
Amar é
ser romântico, é ser realista.
Sonhar e manter os pés no chão.
Conhecer a si mesmo, numa configuração melhorada, mas em outra pessoa: ele/ela.
É serem um quando há duas vontades, dois desejos, duas expectativas.
Amar é...
diga você agora...
Karla Gregório
30.01.2008
Tolerar a tensão pré-menstrual dela
Suportar a ressaca dele
Aturar o mal humor mútuo pela manhã
Amar é...
Ter que abaixar a tampa do sanitário de madrugada para fazer xixi
Se sacrificar ao levantar a tampa do vaso para mijar
Manter a tampa erguida sempre para poupá-los
Amar é...
Desejar a gostosa secretária do chefe, conseguir sair com ela mas não marcar uma segunda vez pois não deseja manter uma relação extraconjugal.
A mulher recusar a proposta de jantar de negócios sob o tema “aumento de 50% no salário” com seu gerente pra eviar ocasião de propostas dúbias e se contentar com o aumento anual de 7%.
É ambos dormirem com a cabeça tranqüila, pois fizeram sua parte devida para o bem do casal!
Amar é...
Ele poupar durante meses o dinheiro para realizar o mega churrasco para a galera e ainda assim ter a fatura do cartão para pagar por 12 meses.
Ela estudar, trabalhar e arrumar a casa, e ainda arrumar a bagunça extra pelo churrasco que fora realizado no final de semana anterior. Isto quando ela pediu que o churrasco ficasse para depois de suas provas da faculdade...
Amar é...
Relevar o mal humor dela pois a casa está de pernas para o ar.
Ser paciente com ele no sofá assistindo à TV enquanto se quer tirar manchas de molho barbecue que estão na parede atrás dele.
Amar é...
Casar apesar dos amigos dele terem-no alertado que essa seria a maior besteira de sua vida
Ela não se descasar quando todas as suas amigas estão lindas, felizes e divorciadas!
Amar é...
Ela saber que a vida longe dele seria tranqüila e que assim poderia finalmente encontrar aquele partido lindo, inteligente e milionário!
Ele saber que sem ela poderia ressucitar sua vida social e voltar a se encontrar com as "amigas" para um chopp.
Amar é...
Estar feliz ao lado de quem se ama apesar das circunstâncias.
Superar os impasses por mais delicada ou irritante que seja a situação para juntos permanecerem.
Amar é
Dizer sim aos instintos primitivos, mas salpicá-lo de convenções sociais necessárias à manutenção da vida humana na Terra.
E morar junto, estar junto, casados legalmente ou não, é namorar por mais de três anos, por mais de dois ou um ano, e não projetar um dia de sua vida sem que aquela outra pessoa esteja ao seu lado.
É fazer sonhos e projetos para futuro a longo prazo sabendo quem será sua companhia para todas as horas.
Amar é
ser romântico, é ser realista.
Sonhar e manter os pés no chão.
Conhecer a si mesmo, numa configuração melhorada, mas em outra pessoa: ele/ela.
É serem um quando há duas vontades, dois desejos, duas expectativas.
Amar é...
diga você agora...
Karla Gregório
30.01.2008
O bom moço e seus vulcões
Nos encontramos na noite de sexta-feira. Ela estava deslumbrante em seu tomara-que-caia vermelho acetinado. Olhos pintados e lábios carnudos saltando à face. Eu vinha direto do trabalho, então eu estava muito suado. E para agravar, durante a semana inteira não tinha conseguido fazer a barba. Não estava na minha melhor imagem, confesso, mas isso não pareceu preocupar Paula. Atirou-se em meus braços e me beijou como se fosse o último dia de nossas vidas. Contraiu todo seu tenro corpo no meu. Senti um arrepio em toda a espinha da coluna e um fogo começou a subir pelo meu corpo. Não pude fazer nada além de me deleitar naquele corpo maravilhoso através daquele abraço, o pagode já estava lotado quando eu cheguei. Pra variar me atrasei, mas desta vez muito mais que de costume. Estive até mais tarde no trabalho aguardando a saída da Carol, a nova auxiliar de contabilidade. Propus-me levá-la no ponto de ônibus. Aquela bundinha linda, pequena, me deixa louco. Não perderia a oportunidade de acompanhá-la. Insisti muito para que ela deixasse, então mesmo com o compromisso com Paula, não podia perder aquela chance de uma maior aproximação. Coloquei em prática todos os preceitos do manual do conquistador barato. Fui cortês, simpático e compreensivo. Ouvi suas conversas tolas sobre família, trabalho e faculdade. Falhei num ponto somente, não conseguia controlar meu olhar para aquele corpinho miúdo e fascinante, mas acredito que ela não tenha percebido. Manteve-se falante com seus olhos brilhantes até que o ônibus veio e eu puxei-na e beijei-lhe a testa, sinal de respeito e boas intenções. Ela ficou extremamente encabulada; não esperava aquele tipo de despedida. Isso me fez rir por dentro, sempre me fascino com meu poder de sedução e magnetismo. Mas retornando à Paula, Paulinha... Minha deliciosa menina de 19 aninhos. Meu doce, meu sonho, meu anjo. Se eu fosse capaz de amá-la, amaria. Mas não a amo. Não que eu seja mau, não quero ser mal interpretado. É que uma menina de 19 anos tem uma mente vazia demais para um homem experiente como eu. Não é burra, mas não é uma Mulher ainda. Menos ainda uma mulher para que um homem como eu venha a amar. Paulinha é meu ideal de mulher nesse sentido: corpo perfeito e rosto iluminado. Por enquanto, isso me basta. Para ela me dedico por inteiro, ofereço o meu melhor e realizo seus desejos. Ela me ama, não tenho dúvida, não tenho dúvida. É um doce que se deleita aos poucos e aos pequenos bocados, lambendo os dedos para que não acabe tão logo. Tenho paciência, ainda não a tive inteira para mim, porque sei esperar. Se eu quisesse já a teria possuído. A vida me ensinou algumas coisas. A paciência foi uma delas. Antes quero tê-la em alma antes de tê-la no corpo. Aprendi ainda com a vida: conquiste um corpo e terás um corpo; conquiste uma alma - um coração - e terás tudo! O melhor que a pessoa tem para oferecer será seu sem que dê algo em troca. Eu quero o melhor de Paula. E ensinarei o que for necessário para que o melhor dela supere o de todas as mulheres que já conheci. Sei que o final dessa historia possa não ser o melhor para ela, mas me agradeceria se pudesse pensar logicamente. Estarei e já estou ensinando conhecimento que lhe será útil até o final de sua vida. Gosto disso em Paula, ela é capaz de aprender. Devagar e demoradamente, mas em contrapartida me delicio mais no aprendizado. Claro que ela sabe nada disso, sequer lhe passa à mente. Isto é, ao coração, centro motriz de sua existência. Ela ignora, e é incapaz de conjeturar tais pensamentos. Altos demais para ela, para mim, apenas faísca da lava adormecida no centro de um vulcão. A propósito, naquele mesmo dia em que levei Paulinha para sambar e pagodear no Terreirão do Samba, conheci Clara. Um vulcão, mulher, linda, gostosa, boa, segura, forte, incrível. Dei o meu telefone para ela, mulher desse tipo não se pode ir atrás. Sequer tentei conseguir seu telefone, seria inútil ligar para ela. Dessas só se encontra por interesse próprio, não são facilmente reconhecíveis senão por sua vontade. Por exemplo, se Clara me quiser, me ligará, porque se ela não quiser não haverá nada, realmente nada no Universo que a persuada do contrário. Então aguardarei pacientemente, e a vida continua. Mulher como ela conheci uma vez na vida. E que estrago foi aquele! Posso rir agora, antes apenas gemia de dor. Todo e qualquer fenômeno destrutivo da natureza seria inútil para designar o poder daquela mulher. Porra, e que mulher... Desde então sequer pronuncio seu nome. Não gosto, eu sou supersticioso. Entretanto estou louco para viver aquele delírio novamente. Desejo isso faz anos. Então o que faço com as minhas mulheres é transformá-las em vulcões com os quais eu possa me queimar por inteiro. Não é fácil. Até hoje não consegui fazer isso com nenhuma. Não sou incompetente. Elas temem serem fortes, não sei por que. O maior prejudicado serei eu, e qualquer um que atravessar o caminho delas, mas elas parecem não querer se emancipar e se tornar algozes no meu prazer e do meu sofrimento. Elas preferem a submissão à agressividade, o olhar ao chão à sedução, o sorriso constrangido à gargalhada. Paula por fora é um vulcão do Fogo (Ilha de São Miguel – Açores), corpo avassalador, olhar penetrante, por dentro, aff... Me dá vontade de rir. Por dentro a Lagoa do Fogo, no entorno no vulcão, menina de 19 anos que ainda não abandonou suas bonecas. Por isso espero, não quero violentá-la, não no sentido físico, afinal ela não é mais uma virgenzinha. Não quero violentá-la no sentido de fazê-la saber prematuramente que não é mais a menina que acredita ser, que brinca de bonecas. Farei com que ela se veja como o mundo a vê. Uma mulher incrível, um vulcão pronto para entrar em erupção. E estarei ali na base daquele vulcão, pronto para me derreter em seu magma flamejante.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Mulher Mulambo
Ele amava aquela múmia. Muda, mulher, mulambo.
Ele a amava antes, desde antes.
Agora não sabia mais.
Não queria saber.
A culpa transbordava-lhe na fronte.
Não era o que queria. Era. Mas não ponderou as consequências.
Sua mulher estava morta.
Muda, múmia, mulambo.
Sua voz a matou.
Mulher morta, morta em sua vida de amor.
A grandeza reduzida ao pó. Poeira no sarcófago do silêncio.
Nos braços imóveis, abraços de dor.
Ele a queria, mulher linda, forte e perfeita que era.
Queria a volúpia de seus movimentos e
a assimetria de seu corpo.
Era o que queria, era o que nela amava.
Mas infelizmente não sabia. A enfaixou.
Começou pelos braços, cabeça e pés.
Queria nela a perfeição ter.
O desejo, a ambição que só sob seus olhos tinha vazão, perdeu a razão de ser.
Se transformou em ilusão.
A mulher forte, linda e viva se tornou mulambo.
Ultrage humano.
Melhor que não estivesse vestida.
Mais honra teria ao revelar nú corpo seu.
Mas envolta em farrapos e mulambos, enfaixada feito múmia, mulher perfeita morreu.
Morreu, pois se deixou enfaixar por fitas rosa de amor que a opressão veio sublimar.
E dentro de si, numa redoma se fechou. Morreu asfixiada, asfixiada pelos afagos da voz do homem de seu amor.
Muda, múmia, mulher-mulambo.
Ele a amava antes, desde antes.
Agora não sabia mais.
Não queria saber.
A culpa transbordava-lhe na fronte.
Não era o que queria. Era. Mas não ponderou as consequências.
Sua mulher estava morta.
Muda, múmia, mulambo.
Sua voz a matou.
Mulher morta, morta em sua vida de amor.
A grandeza reduzida ao pó. Poeira no sarcófago do silêncio.
Nos braços imóveis, abraços de dor.
Ele a queria, mulher linda, forte e perfeita que era.
Queria a volúpia de seus movimentos e
a assimetria de seu corpo.
Era o que queria, era o que nela amava.
Mas infelizmente não sabia. A enfaixou.
Começou pelos braços, cabeça e pés.
Queria nela a perfeição ter.
O desejo, a ambição que só sob seus olhos tinha vazão, perdeu a razão de ser.
Se transformou em ilusão.
A mulher forte, linda e viva se tornou mulambo.
Ultrage humano.
Melhor que não estivesse vestida.
Mais honra teria ao revelar nú corpo seu.
Mas envolta em farrapos e mulambos, enfaixada feito múmia, mulher perfeita morreu.
Morreu, pois se deixou enfaixar por fitas rosa de amor que a opressão veio sublimar.
E dentro de si, numa redoma se fechou. Morreu asfixiada, asfixiada pelos afagos da voz do homem de seu amor.
Muda, múmia, mulher-mulambo.
Obediência e Resignação
Ao mesmo tempo em que estou muito solta e tenho toda liberdade, liberdade essa que temo de tão grande que é... Ao mesmo tempo não quero estar presa, fechada, enclausurada e desconexa do quê, não sei.
Mas não quero os extremos de realidades que são nocivas para minha saúde, minha plenitude, minha existência. Temo a prisão, a caixa, o dogma, tudo que é vão. Temo a liberdade que vem na contramão. Posso fazer tudo que quiser, mesmo aquilo que não seja são. Posso matar, roubar, ferir, me prostituir. Posso dizer não, posso dizer sim. Não tenho contas a prestar, para ninguém preciso minha vida, meu comportamento, meu ser, justificar. Mas isso não é tão bom. Fico presa na solidão. Então para o outro lanço mão, na esperança de amparo ter. Mas não quero ser presa não, nem que isso pareça em vão. Não quero a solidão, mas presa não posso viver.
As amarras foram soltas, todos os dogmas se foram. Pai, mãe, igreja, não quero ouro de tolo. Não quero estar presa na “sagrada“ união. Minha personalidade é minha, muito forte, solta e precisa disso para viver. Quero morrer de amor, mas amando na liberdade conviver.
Quero me dedicar, amar, até às vezes me anular, mas em todo tempo me possuir. Quero ser eu como sou. Sem me desconfigurar e sem me trair. Não sou programa de computador, sou um ser humano, mulher, não nasci somente para amar. Não quero me subjugar, nem por isso me isolar, ou mesmo me submeter. Não quero estar à frente, nem atrás, do lado sim, isso poderá acontecer. Não quero olhar para o chão, não quero a fronte demais erguer. Eu quero a digna liberdade de mulher, um outro a mais, nem melhor nem pior, outro modo de ser. Outro modo humano, humana, mulher que tem direito ao poder. O poder que mais desejo para sempre, é sempre, para sempre me pertencer.
Sou muito forte que não me suporto, sei, preciso de ajuda. Não me basto, não me sustenho, sou muito, muito, muito poder, tão grande que não agüento. Mas só posso confiar, me confiar, em alguém que não queira me usurpar. E que saberá me deixar ser o que já sou, mesmo que um dia eu venha mudar.
Estou triste, muito triste, a realidade passei a enxergar. Desde o dia que comi o fruto, fui culpada, sou mulher, fui errada ao pecar. Levei Adão comigo e por isso pago, até hoje, pelo erro que aconteceu ali. Milhares de anos se passaram desde o Éden, pago o preço do passado, passado de erro que não cometi.
Choro, sofro, lamento, grito, mas sublimo minha indignação. Ensinaram-me a não ter voz, nem mente, apenas a pensar com o coração. Então abaixo minha cabeça, não falo não escrevo não uso minhas mãos. Cumpro a tarefa que me foi dada, viver eternamente em reclusão. Sou mulher, o que fazer? Não tenho opção. A mim basta a atitude de todos os fracos e submissos: obediência e resignação.
Mas não quero os extremos de realidades que são nocivas para minha saúde, minha plenitude, minha existência. Temo a prisão, a caixa, o dogma, tudo que é vão. Temo a liberdade que vem na contramão. Posso fazer tudo que quiser, mesmo aquilo que não seja são. Posso matar, roubar, ferir, me prostituir. Posso dizer não, posso dizer sim. Não tenho contas a prestar, para ninguém preciso minha vida, meu comportamento, meu ser, justificar. Mas isso não é tão bom. Fico presa na solidão. Então para o outro lanço mão, na esperança de amparo ter. Mas não quero ser presa não, nem que isso pareça em vão. Não quero a solidão, mas presa não posso viver.
As amarras foram soltas, todos os dogmas se foram. Pai, mãe, igreja, não quero ouro de tolo. Não quero estar presa na “sagrada“ união. Minha personalidade é minha, muito forte, solta e precisa disso para viver. Quero morrer de amor, mas amando na liberdade conviver.
Quero me dedicar, amar, até às vezes me anular, mas em todo tempo me possuir. Quero ser eu como sou. Sem me desconfigurar e sem me trair. Não sou programa de computador, sou um ser humano, mulher, não nasci somente para amar. Não quero me subjugar, nem por isso me isolar, ou mesmo me submeter. Não quero estar à frente, nem atrás, do lado sim, isso poderá acontecer. Não quero olhar para o chão, não quero a fronte demais erguer. Eu quero a digna liberdade de mulher, um outro a mais, nem melhor nem pior, outro modo de ser. Outro modo humano, humana, mulher que tem direito ao poder. O poder que mais desejo para sempre, é sempre, para sempre me pertencer.
Sou muito forte que não me suporto, sei, preciso de ajuda. Não me basto, não me sustenho, sou muito, muito, muito poder, tão grande que não agüento. Mas só posso confiar, me confiar, em alguém que não queira me usurpar. E que saberá me deixar ser o que já sou, mesmo que um dia eu venha mudar.
Estou triste, muito triste, a realidade passei a enxergar. Desde o dia que comi o fruto, fui culpada, sou mulher, fui errada ao pecar. Levei Adão comigo e por isso pago, até hoje, pelo erro que aconteceu ali. Milhares de anos se passaram desde o Éden, pago o preço do passado, passado de erro que não cometi.
Choro, sofro, lamento, grito, mas sublimo minha indignação. Ensinaram-me a não ter voz, nem mente, apenas a pensar com o coração. Então abaixo minha cabeça, não falo não escrevo não uso minhas mãos. Cumpro a tarefa que me foi dada, viver eternamente em reclusão. Sou mulher, o que fazer? Não tenho opção. A mim basta a atitude de todos os fracos e submissos: obediência e resignação.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Levanto os olhos depois que abro a porta
Minha entrega chegou
Um homem negro, cabeça baixa, olha para os pés
Não ouvi uma palavra de sua boca
Limitou-se a concordar com a cabeça e
Esboçar um tímido sorriso
Fechei a porta
Para sempre ele se foi
A cena jamais saiu da minha mente
O homem negro que faz a entrega na casa
Na minha casa
Mulher negra que fecha a porta às suas costas
A minha pele foi fendida
Ferida viva
Cicatriz aberta
Esboço um tímido sorriso
Já não digo nada, não que já tivesse dito
Mas olho para os pés e sigo.
Minha entrega chegou
Um homem negro, cabeça baixa, olha para os pés
Não ouvi uma palavra de sua boca
Limitou-se a concordar com a cabeça e
Esboçar um tímido sorriso
Fechei a porta
Para sempre ele se foi
A cena jamais saiu da minha mente
O homem negro que faz a entrega na casa
Na minha casa
Mulher negra que fecha a porta às suas costas
A minha pele foi fendida
Ferida viva
Cicatriz aberta
Esboço um tímido sorriso
Já não digo nada, não que já tivesse dito
Mas olho para os pés e sigo.
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