quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Mulher Mulambo resposta

Me iludi. Aquilo não era amor. Subi sobre mim, me desatou. Agora já não posso deixar me enfaixar. Estou esperta, sua falsidade não irá ocultar. Não me amou. Só me prendeu. "Não fale isso. Não fale assim." Quis me transformar. "Não tenho tempo para isso. Anda mais rápido. Depois abraço." Quis me transformar. Ele acertou. Em cheio na minha respiração. Transformou o que era bom em ilusão. A terra fértil do amor se ressecou. Em mentiras se desmanchou. Agora está a se perguntar: dá pra remendar? Num ninho de gato eu fui parar. Falsidade,mentira e conflito pra todo lado. Perdi tudo que amo. Estou em frangalhos. Mas minha vida não deixarei ceifar. A minha vida e a de meu filho não mais deixarei tocar. Sou livre. Sou linda. Sou forte, bela e única. Se não tem amor de verdade no relacionamento, o que fazer O fim é o melhor que pode ocorrer. Mas há una esperança e uma pequena solução, amar em atitudes não apenas palavras. E mentiras mais não.
Eu vou sonhar. Eu vou viver. Eu vou amar. Irei sorrir. Irei vencer. Vou melhorar. Ninguém me impedir, nada vai me deter. Deixo a tristeza de lado. Deixo de o que é sombrio de lado. Eu sou livre. Pra ser feliz. Eu serei livre. Lutei para isso. Ninguém vai me prender. Eu vou sorrir, sendo feliz, eu vou vencer!

sábado, 4 de julho de 2015

Esconder a depressão e a tristeza. Fingir alegria e realização. Assim que as pessoas querem? Fodam-se as pessoas. Fodam-se.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Ninguém é de ninguém. É. Estou sabendo. Tenho sido egoísta. Por isso tenho sido machucada. É complicado ser machucada e superar quando quem machucou está tão perto. Quero esquecer. Vou tentar esquecer. Espero que com a dor esquecida não se vá o afeto. E que volte forte a consideração.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Engasgado na garganta

A forma como a sociedade está estruturada. Como as relações homem e mulher foram configuradas ao longo da história, esse paradigma insípido chega a ser nojento. Nós mulheres somos ensinadas a reproduzi-lo caso queiramos aumentar as chances de ter um relacionamento estável... Respeito esses relacionamentos. Não vou dizer que são de merda, porque realmente não acho que sejam. Mas choramingar atenção? Interpretar submissão? Ocupar o lugar da mãe ausente, personificar o complexo de édipo? Mimar como se fosse um bebê, e me fazer de submissa e fragilizada "vou te esperar". Acho que não. Optei andar na contramão. Tenho liberdade sim. Faço o que eu quero sim. Estou me projetando para além de falácia manipuladora. Manipulação amadora? Por favor, Não. Comigo não. Não posso fingir que não vejo. Fazer o velho jogo feminino, cobra cega, finge que não e quando o outro percebe, já está amarrado até o pescoço. Sim, a sociedade iria me valorizar por isso, por manter o status quo. Daria título de honra "mulher de verdade", "mulher sábia", "mulher pra casar". Não sou, nem quero ser, nem quero ser identificada como "mulher pra casar". Mulher que é mulher é, simplesmente e sobretudo, mulher. Mulher da libido, do amor também, mulher quem tem pai, mãe e um chimpanzé de estimação, que rir e chora. Que dá o dedo do meio, que grita feliz ou com raiva. Que bebe, que dança e rebola até o chão. Liberdade para os homens. Fogão, filhos, castidade e submissão para a mulher? Nâo. Não. Não. Não se engane. Não engano ninguém. O respeito e valor que recebo é aquele que dou. Se engana o homem que acha que somente eles separam sexo e relacionamento. Podemos muito bem, sendo escrotas como homens não por copia-los simplesmente mas porque essa é uma tentação para qualquer gênero, distinguir o homem do sexo do homem para andar do nosso lado e apresentar pra nossa família. Cuidado. Essa linha é muito tênue. Qualquer deslize pode tirar você de um lado e projetar no outro. Quem quer amor e respeito, seja homem ou mulher, precisa saber oferecer. Independentemente do gênero. E se mulher tem que se dar o valor, por que o homem não?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Escola da Ponte, Rubem Alves...

"Não cobiço nem disputo os teus olhos
não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tampouco se quero ver o que veem e do modo como veem os teus olhos

Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo

Não me digas como se caminha e por onde é o caminho
deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser

Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias
mesmo que tu me percas e eu te perca
algures na caminhada certamente nos reencontraremos

Não me expliques como deverei ser
quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre
no espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas
Semeia te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas

Não me prendas as mãos
não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi
Deixa-me arriscar o molde talvez incerto
deixa-me arriscar o barro talvez impróprio
na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro

E não me obrigues a ler os livros que eu ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar

Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida."

Rubem Alves, escola da Ponte.
"E se a letra mata, mas o espírito vivifica...
Oferto meu silêncio, e o meu amor...."