domingo, 19 de outubro de 2008


Passamos por momentos de angústias, angústias de vida com razão ou sem motivo aparente. Nosso coração fica pesado e um nó se instala na garganta. Procuramos razões para justificar tal angústia, caçamos um culpado para o mal que nos atinge e que a principio não tem explicação. Com isso progetamos esse desconforto em algo que não necessariamente o provocou: à família, ao trabalho, ao amigo, à namorada. Tentamos entender o que se passa conosco nos mínimos detalhes e nos equivocamos.
Isso se deve ao simples fato que não gostamos de nos deparar com o nosso desespero humano. Digo isso numa linguagem acessível, tendo em consideração o pensamento do filósofo existencialista Kierkgaard. Contudo trago para participar dessa (digressão) alguém caro e especial: Henri Nouwen, um pensador que não raro se faz oráculo divino no meu dia-a-dia.
No que tange angústia, desespero e desconforto no coração, Nouwen nos prescreve: busque a solidão do seu coração. Não busque no outro o alívio do mal estar que é seu. Através desse mesmo mal estar, na solidão do seu coração, você tem oportunidade de encontrar Deus, estar pleno nele e não sufocar aqueles que estão em sua volta.



É na solidão do nosso coração que encontramos abrigo e acolhimento. Ser humano algum no mundo pode nos oferecer isso plenamente.
A busca por respostas, a busca quando incessante, desenfreada e impulsiva, apenas nos afasta do único lugar onde devemos estar: em nós mesmos. O medo do confronto com os medos e aflições interiores faz que tentemos fugir de nós mesmos, fugir do encontro com a fonte verdadeira de nossas dores e aflições. Essa fuga nos encaminha cegamente a paliativos que nos iludem quanto a solução de nossa angústia e somente a aumenta. Isso desdobra em problemas no cotidiano, pois nos frustramos com o outro, com nosso próximo, com nosso conjuge, amigo ou irmão. Se não pararmos para dar ouvidos à voz de nossos corações, não entenderemos que a confusão e os problemas externos são reflexos de conjunturas íntimas, que devem se tratadas com carinho e cuidado, por nós mesmos. Nesse espaço de solidão, solidão que não é negativa, é positiva e necessária, nos deparamos com nossos fantasmas. E são momentos como esses favoráveis à manifestação divina, ao encontro com o Outro Supremo, o Criador, o Pai, o Consolador, Amigo Fiel. São nesses momentos que ouvimos a voz do Espírito Santo e sentimos sua proteção. É exatamente nesse momento de fraqueza e inquietação que podemos suplantar nossas limitações e caminhamos um passo a mais em direção a plenitude de vida, perfeição.



Portanto, não fuja de si, de sua angústia, de seu medo. Convide ele para sentar-se e confronte, dê a si oportunidade de enxergar a força que possui, e se em algum momento a sua for insuficiente, confie em Deus que não desampara um sequer de seus pequeninos.



Paz, amém.

Livrai-nos do mal

Hoje acordei e saí de bicicleta. Era cedo, fui percorrer a comunidade num dia cinza nublado. Começou a cair uma chuva fina.
Passei por muito lugares presentes na lembrança. Em frente à igreja onde faria primeira comunhão voltei no tempo por instantes, então adentrei seu pátio. Desci da bicicleta e me sentei na bancada na lateral do antigo templo. Podia dali ver o cruzamento por onde passavam pessoas, carros, reflexões e lembranças. Notei na bancada um pequeno caracol se movimentando, carregando sua casa. Pensei em mim, no caracol e na vida minúscula que não enxergamos a olho nu, mas está em toda a parte.
Tavez para aquele caracol eu era um Deus, ali ao seu lado. Maior, onipotente, do qual ele não podia chegar ao conhecimento pleno.
O sacristão passou e me cumprimentou com um bom dia, ao que respondi. Continuei a pensar e quando vi eu rezava a oração do Pai Nosso. Em sua última cláusula percebi que pedia "livra-nos do mal, livre-nas do mal, livre-o do mal, livre a todos nós do mal, amém". O único pensamento que tive de "mal" foi o que podemos fazer uns aos outros em intenção. Esta é a maldade suprema pois não há intenção, não há culpa ou culpados. Este é o mal do qual não podemos nos livrar por conta própria. Por isso devemos rogar a Deus por sua ajuda. E quando pedi que nos livrasse a todos do mal, pedia do mal que somos capazes de fazer sem intenção. Repito: é desse mal que somos incompetentes de nos desvencilhar.
Nisso se aproximava um senhor com a liturgia da missa em mãos. Olhou-me e estendeu-me sua mão. Retribuí-lhe o gesto e o cumprimentei. Ele continuou seu caminho. Quando notei, ele iria se sentar na mesma bancada. Num reflexo instantâneo chamei: "moço, não!" Estiquei o braço e o empurrei com uma das mãos.
Por pouco, aquele senhor sentaria sobre o caracol. Talvez o matasse, certamente o machucaria, sem intenção. Houve ali, entretanto, uma teofania*. Deus livrou aquele homem do mal. Livrou ambos, o homem e o caracol.

*Teofania é um conceito de cunho teológico que significa a manifestação de Deus em algum lugar, coisa ou pessoa. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teofania)

sábado, 18 de outubro de 2008

Mesmo sem motivo para escrever
Sem ter o que falar
Não entendo o que eu sinto; eu vou dizer
Aquilo que me faz parar

Quando olho, não quero ver
Mesmo sem saber, não dá para acreditar
É verdade o que sinto por você
Ou será mera ilusão criada para sonhar?

De verdade quero este amor? Prefiro eu que ele venha acabar?
É difícil isso saber. Muito difícil interpretar

Vou continuar a sofrer? Por que a ser feliz não quero me habituar
Luto com o que sinto e ainda luto por você
Luto por algo que não imagino o que será

Minha voz, meu corpo, minha alma querem você
Minha mente, de ti se separar
Como pode esta luta? Quem irá vencer?
Estarei por perto ou irei me afastar?

Mulher que sou, maluca que sei
Amo-te e não quero essa realidade vivenciar
Segura estou longe de ti, não quero a isso ceder
Prefiro a segura solidão à incerteza de amar

Não findo por aqui, há mais o que dizer
Não encontro palavras certas para dissertar
Faço perguntas às quais não posso responder
Cheguei à conclusão, opto por continuar...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

SEM TEMPO PARA DIVAGAR
SEM ENERGIA
SEM INSPIRAÇÃO
VAZIA
AFF... : (

domingo, 12 de outubro de 2008

Biografia

Aceitar aceitando Aceitar Aceitar

Minha biografia
Minha vida

Estou aqui com um vazio grande no peito
Ouço uma canção de amor e sofro a minha dor
Sofro alegre a dor de amar
A dor de desejar
A dor de oferecer liberdade ao ser que de mim é enamorado
Dor de sermos dois, quando eu gostaria que fôssemos um

Pergunto para mim e para Deus
Pergunto para Deus, pergunto para o mundo: Por que?
E não há resposta.
Sinto o silêncio da canção tocar meu rosto
Ouço minhas lágrimas escorrendo no coração

Ouço minha razão dizer serenamente: calma, vai ficar tudo bem. eu cuido de você.
Aí lembro que tudo que eu preciso, eu tenho. E que sou o bem mais importante da minha vida. E que sou amada e que amo a despeito de qualquer circunstância. Amo poder ver quem amo livre, livre, livre para voar. E regozijo ao saber que ele goza de uma liberdade que sempre almejei ter, e que ainda não tive coragem de exercer.

E também lembro que de tudo, ficarão as melhores lembranças: seu lábios de frigideira, seus olhos esbuticados, seu jeito sem jeito de dançar.

Mas ainda eu choro, choro, choro. Meu coração dói, dói. Dói.
Faço catarse através do grito e me liberto na escrita. Escrevo, escrevo com dor e alegria. Alegria de ser mulher, dor de ser mulher, alegria de amar, dor de amar. Mas sei que tudo valeu a pena, cada lágrima, cada sorriso, cada beijo, cada conversa, cada telefonema, cada birra. Tudo, tudo e tudo valeu a pena. Ser protegida, beijada, tocada por um outro assim como eu: perdido no breu, tateando no escuro, buscando o caminho, o melhor para viver.

Obrigada, Senhor.

sábado, 4 de outubro de 2008

A busca

Ele nunca tinha feito qualquer promessa. Jamais disse para sempre, e nunca se ausentou. Estava ali para tudo, todos os momentos, sendo o berço onde Diana podia ninar. Ele era seu protetor, seu anjo da guarda, manta nas noites de frio. Ela isso não sabia. Demorou para perceber. Ele era quem ela queria, tinha tudo que ela precisava. Sempre o teria. Ele era a segurança de deitar e ter bons sonhos, sem pesadelos, sem dores. Embora soubesse: a realidade traria sonhos ruins. Ele ali para abraçá-la nos momentos de terror. Sempre esteve. Diana Fênix demorou, mas percebeu que procurou em lugares errados, pessoas erradas, definições erradas. Ele sempre ali de seu lado aceitando seu delírios, aventuras e divagações. Cúmplice, compassivo, irmão, amigo... Ela se levantou imediatamente e correu para o telefone, pois precisava dizer-lhe tudo que acabara de descobrir sobre os dois. Era ele o amante que buscava encontrar em homens sem alma, em lugares sem amor. Ele atendeu o telefone, ela chorou... chorou e chorou...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

APoLo e DiOníSio

Ela queria nascer e ele queria vê-la
A outra não gostava da idéia, mas pouco pôde fazer
Ele sabia o segredo da assumpção e fez com que ela surgisse
Ela surgiu com sutil sagacidade
A outra não quis saber, concedeu o espaço que ela precisava
Ela chegou nem tímida nem ousada, chegou e se apropriou de um espaço que sempre foi seu
Chegou e não iria mais embora pois aquela era sua casa
A outra não se portou como anfitriã
Não sabia como se comportar
Permitiu que ela estivesse ali
Como se ela fosse a outra, a própria
E a verdade é que era,
Uma, duas mulheres
Apolo e Dionísio
Vivendo lado a lado