Quando acabou nos olhamos
Não tinha o que dizer
Pois tudo já tinha sido dito
sem uma palavra sequer
Nada havia que fazer
Já não tinha como mudar
Se é que houve chance de mudança
Tudo já estava escrito
Destino traçado
Nós dois já sabíamos
Relutamos em aceitar
Vingíamos não ver
Criamos artifícios
Diversos
para escapar
do que estava predestinado
Não conseguimos mudar tudo
embora desejássemos muito
O tempo executou perfeitamente seu trabalho
Nos distanciando do mesmo modo com que
nos unia há algum tempo
Sem nos dizer olá
Sem dizer adeus
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Efêmero
A vida é efêmera
As pessoas o são
A beleza
A amizade
O romance
O amor
O sexo
As prioridades são efêmeras
As frivolidades e vulgaridades também
A fé é efêmera
A dor também o é
Assim como a felicidade daqueles que a buscam
Também o cansaço é
o corpo o é
Tudo passa
Tudo muda
Tudo vai
O sapato folgado ontem hoje aperta
A saia apertada, já está larga
A pele esticada agora tem rugas
O salto novo está desgastado
E a blusa da moda, demodê
A virtuosidade, infâmia
A verdade de amanhã, mentira do hoje
Tudo passa
Há coisas que tornam por aqui passar
A decepção
A desilusão
A confusão
Indecisão
O amor
O afeto
A alegria
A paixão
Nisso nós passamos
e deixamos lembranças
Que o tempo faz questão de apagar
As pessoas o são
A beleza
A amizade
O romance
O amor
O sexo
As prioridades são efêmeras
As frivolidades e vulgaridades também
A fé é efêmera
A dor também o é
Assim como a felicidade daqueles que a buscam
Também o cansaço é
o corpo o é
Tudo passa
Tudo muda
Tudo vai
O sapato folgado ontem hoje aperta
A saia apertada, já está larga
A pele esticada agora tem rugas
O salto novo está desgastado
E a blusa da moda, demodê
A virtuosidade, infâmia
A verdade de amanhã, mentira do hoje
Tudo passa
Há coisas que tornam por aqui passar
A decepção
A desilusão
A confusão
Indecisão
O amor
O afeto
A alegria
A paixão
Nisso nós passamos
e deixamos lembranças
Que o tempo faz questão de apagar
terça-feira, 1 de abril de 2008
ARROZ E FEIJÃO
Eu fui um deles
Saí daquele lugar
Pertenci
Tive a mesma identidade
Mas saí
Não quero mais ser como eles tem muito tempo
Não sou mais
Sequer quero o convívio deles
São arrogantes
São intransigentes
São falsos e hipócritas
São medíocres
Repetitivos
Bestiais
Dignos de pena e misericórdia
São umas lástimas
Enchem os pulmões e batem no peito
Suas verdades mortais
Destilam veneno de seus lábios
Ódio de seus corações
Comprimem seus verdadeiros sentimentos
Ocultam sua face verdadeira,
À sombra se revelam
E a luz que dizem resplandecer são trevas
Densas trevas capazes de aniquilar a mais pura alma humana
São pérfidos
Humilham-se como forma de exaltação própria
São restos de vida
Não andam, rastejam
Mendigam a atenção dos outros por imposição de seus supostos poderes
Poder de deter o conhecimento de causas últimas
Tal poder atribuído ao ser ontológico
Distanciam-se da Vida
Matam Eva
Fui um deles
Que lástima
Que miserável fui quando adentrei pérfidas habitações
Onde se exulta o ódio ao mundo e o amor ao além
Ódio ao mundo e ao pecado
Amor fingido ao pecador: agressão verbal e opressão moral
Não sou feijão
Nasci arroz
Saí daquele lugar
Pertenci
Tive a mesma identidade
Mas saí
Não quero mais ser como eles tem muito tempo
Não sou mais
Sequer quero o convívio deles
São arrogantes
São intransigentes
São falsos e hipócritas
São medíocres
Repetitivos
Bestiais
Dignos de pena e misericórdia
São umas lástimas
Enchem os pulmões e batem no peito
Suas verdades mortais
Destilam veneno de seus lábios
Ódio de seus corações
Comprimem seus verdadeiros sentimentos
Ocultam sua face verdadeira,
À sombra se revelam
E a luz que dizem resplandecer são trevas
Densas trevas capazes de aniquilar a mais pura alma humana
São pérfidos
Humilham-se como forma de exaltação própria
São restos de vida
Não andam, rastejam
Mendigam a atenção dos outros por imposição de seus supostos poderes
Poder de deter o conhecimento de causas últimas
Tal poder atribuído ao ser ontológico
Distanciam-se da Vida
Matam Eva
Fui um deles
Que lástima
Que miserável fui quando adentrei pérfidas habitações
Onde se exulta o ódio ao mundo e o amor ao além
Ódio ao mundo e ao pecado
Amor fingido ao pecador: agressão verbal e opressão moral
Não sou feijão
Nasci arroz
Apresado*
Ele tinha muita pressa
Corria
Fazia tudo com perfeição e agilidade
Todos os dias se atentava para não deixar lacunas
Mesmo assim deixava a desejar em alguns aspectos
Mas não se atemorizava
Persistia na sua corrida
Fazia tudo
Todos os dias
Com cuidado, mas muita pressa
Queria chegar lá o mais rápido possível
Tinha tanta pressa
Que não percebeu que lhe faltava algo
Não sabia aonde estava indo
Não sabia em que lugar queria chegar
E toda sua energia
Muita energia
Empregada
Foi inútil
Não tinha alvo
Não tinha objetivo
Não tinha meta
Mas não sabia
Por que estava apresado demais
para perceber
Corria
Fazia tudo com perfeição e agilidade
Todos os dias se atentava para não deixar lacunas
Mesmo assim deixava a desejar em alguns aspectos
Mas não se atemorizava
Persistia na sua corrida
Fazia tudo
Todos os dias
Com cuidado, mas muita pressa
Queria chegar lá o mais rápido possível
Tinha tanta pressa
Que não percebeu que lhe faltava algo
Não sabia aonde estava indo
Não sabia em que lugar queria chegar
E toda sua energia
Muita energia
Empregada
Foi inútil
Não tinha alvo
Não tinha objetivo
Não tinha meta
Mas não sabia
Por que estava apresado demais
para perceber
Amarelina
Amarelina era uma menina muito recatada. Vivia num bairro comum na zona leste de sua cidade. Estudava perto de casa e tinha muitos amigos. Ela brincava com seus amigos, mas sem muito alvoroço, com poucos risos e nenhuma gargalhada.
Os anos passaram e Amarelina concluiu seus estudos fundamental e médio. Então logo saiu em busca de um emprego para que contribuísse nas despesas de casa. Sua mãe era doméstica e seu pai era motorista de ônibus. Os rendimentos dos dois juntos permitiam apenas que sua família não passasse fome.
Ela conseguiu um emprego de atendente numa lanchonete no centro da cidade. Ali via muita gente. Pessoas apressadas passavam de um lado para o outro. Algumas paravam para tomar o café-da-manhã ou fazer algum lanche. Nenhuma deixava-lhe qualquer gorjeta. Isso a entristecia.
Havia outra coisa que há muito tempo realmente incomodava Amarelina. Era seu nome. Seus pais nunca souberam explicar o porque deste nome. Ela chegava a se enxergar amarela no espelho, embora tivesse a tez morena. E isso lhe trazia inquietação, pois amarelo era a cor sem cor, sem graça, sem sal, sem vida. Mas isso pensava de vez em quando, principalmente nos momentos em que a lanchonete estava vazia e ela se punha a varrer a frente do estabelecimento.
Num dia quente de sol radiante, ouviu uma conversa no balcão da lanchonete que chamou sua atenção. Duas pessoas falavam sobre como mudar o nome de batismo, ou seja, o do registro de nascimento. Era um trâmite jurídico, mas viável. Amarelina ouvia tudo, discreta e atenta. Desde aí passou a imaginar um novo nome para si. Algo mais vivo e mais interessante, que pudesse conferir mais vida e cor a sua pacata vida. E pôs-se a pensar a respeito.
Depois de uma semana teve um sonho. Sonhou que estava numa boate dançando com um vestido amarelo radiante e dançava com sapatos de salto. As pessoas se deslumbravam com sua leveza e brilho. Um belo rapaz chegou até ela com um sorriso e convidou-a para dançar. Ela aceitou e a música se tornou lenta e romântica. Ao final da dança o rapaz perguntou o nome dela, e ela respondeu: Raio de Luz.
Quando acordou o sol a incomodava pela janela do quarto. Ao olhar as horas viu que estava atrasada. Mas não se preocupou. Estava ainda sonolenta e prazerosa pelo sonho que acabara de ter. Não pensava no rapaz, e sim no seu novo nome. Que era um sinônimo para o nome atual dela, uma outra face do nome, uma nova face de si. Raio de Luz abriu um radiante sorriso e pulou da cama.
Ao chegar ao trabalho, foi chamada para falar com o gerente da lanchonete. Ao entrar na sala sorriu maliciosamente, como quem tinha um segredo e não iria revelar, mas permitiria que fosse descoberto, e disse bom dia. A malícia do sorriso não impediu que ela recebesse uma chamada. Entretanto, isso em nada abalou seus ânimos. Era outra pessoa, uma nova mulher.
Ao passar pela rua era como se a vida toda até aquele momento tivesse visto as coisas em preto-e-branco e somente agora enxergava as cores do céu, do sol, das pessoas. Era tudo muito lindo e estimulante que dava a ela um prazer incomensurável. Raio de luz experimentava pela primeira vez na sua vida o sabor e a cor da felicidade.
28/03/08
Os anos passaram e Amarelina concluiu seus estudos fundamental e médio. Então logo saiu em busca de um emprego para que contribuísse nas despesas de casa. Sua mãe era doméstica e seu pai era motorista de ônibus. Os rendimentos dos dois juntos permitiam apenas que sua família não passasse fome.
Ela conseguiu um emprego de atendente numa lanchonete no centro da cidade. Ali via muita gente. Pessoas apressadas passavam de um lado para o outro. Algumas paravam para tomar o café-da-manhã ou fazer algum lanche. Nenhuma deixava-lhe qualquer gorjeta. Isso a entristecia.
Havia outra coisa que há muito tempo realmente incomodava Amarelina. Era seu nome. Seus pais nunca souberam explicar o porque deste nome. Ela chegava a se enxergar amarela no espelho, embora tivesse a tez morena. E isso lhe trazia inquietação, pois amarelo era a cor sem cor, sem graça, sem sal, sem vida. Mas isso pensava de vez em quando, principalmente nos momentos em que a lanchonete estava vazia e ela se punha a varrer a frente do estabelecimento.
Num dia quente de sol radiante, ouviu uma conversa no balcão da lanchonete que chamou sua atenção. Duas pessoas falavam sobre como mudar o nome de batismo, ou seja, o do registro de nascimento. Era um trâmite jurídico, mas viável. Amarelina ouvia tudo, discreta e atenta. Desde aí passou a imaginar um novo nome para si. Algo mais vivo e mais interessante, que pudesse conferir mais vida e cor a sua pacata vida. E pôs-se a pensar a respeito.
Depois de uma semana teve um sonho. Sonhou que estava numa boate dançando com um vestido amarelo radiante e dançava com sapatos de salto. As pessoas se deslumbravam com sua leveza e brilho. Um belo rapaz chegou até ela com um sorriso e convidou-a para dançar. Ela aceitou e a música se tornou lenta e romântica. Ao final da dança o rapaz perguntou o nome dela, e ela respondeu: Raio de Luz.
Quando acordou o sol a incomodava pela janela do quarto. Ao olhar as horas viu que estava atrasada. Mas não se preocupou. Estava ainda sonolenta e prazerosa pelo sonho que acabara de ter. Não pensava no rapaz, e sim no seu novo nome. Que era um sinônimo para o nome atual dela, uma outra face do nome, uma nova face de si. Raio de Luz abriu um radiante sorriso e pulou da cama.
Ao chegar ao trabalho, foi chamada para falar com o gerente da lanchonete. Ao entrar na sala sorriu maliciosamente, como quem tinha um segredo e não iria revelar, mas permitiria que fosse descoberto, e disse bom dia. A malícia do sorriso não impediu que ela recebesse uma chamada. Entretanto, isso em nada abalou seus ânimos. Era outra pessoa, uma nova mulher.
Ao passar pela rua era como se a vida toda até aquele momento tivesse visto as coisas em preto-e-branco e somente agora enxergava as cores do céu, do sol, das pessoas. Era tudo muito lindo e estimulante que dava a ela um prazer incomensurável. Raio de luz experimentava pela primeira vez na sua vida o sabor e a cor da felicidade.
28/03/08
segunda-feira, 24 de março de 2008
SEM TÍTULO
EU FUGI DO AMOR DELE
FOI DE SEU AMOR QUE EU FUGI
ME AFUGENTEI NA DENSIDADE DA FLORESTA
ME ESQUIVEI NOS DESLISES QUE SÃO MEUS
FINGI RAIVA E RANCOR
NÃO SEI PERMANECER ONDE HÁ AMOR
QUERO O SIMPLES E O FÁCIL
MAS POR VEREDAS DIFÍCEIS E COMPLICADAS ME EMBRENHO
QUERO SOLTAR AS AMARRAS QUE ME PRENDEM À LIBERDADE
QUERO ME LIBERTA NA PRISÃO QUE DO AMOR PENSO
NÃO SEI FICAR DO SEU LADO SE ME DIZ "EU TE AMO"
LONGE DELE NÃO SEI ESTAR, MAS SE PERTO, QUE ELE NÃO ME TENHA AMOR
MAS SE FOR AMOR, ME OFEREÇA AOS POUCOS
PARA QUE ASSIM ME ACOSTUMANDO, NÃO O REJEITE PELA DOR
A DOR DE SER AMADO DO JEITINHO QUE SE É
A DOR DE SER QUERIDO SENDO AMANTE OU MENINA, AINDA MAIS SENDO MULHER
FOI DE SEU AMOR QUE EU FUGI
ME AFUGENTEI NA DENSIDADE DA FLORESTA
ME ESQUIVEI NOS DESLISES QUE SÃO MEUS
FINGI RAIVA E RANCOR
NÃO SEI PERMANECER ONDE HÁ AMOR
QUERO O SIMPLES E O FÁCIL
MAS POR VEREDAS DIFÍCEIS E COMPLICADAS ME EMBRENHO
QUERO SOLTAR AS AMARRAS QUE ME PRENDEM À LIBERDADE
QUERO ME LIBERTA NA PRISÃO QUE DO AMOR PENSO
NÃO SEI FICAR DO SEU LADO SE ME DIZ "EU TE AMO"
LONGE DELE NÃO SEI ESTAR, MAS SE PERTO, QUE ELE NÃO ME TENHA AMOR
MAS SE FOR AMOR, ME OFEREÇA AOS POUCOS
PARA QUE ASSIM ME ACOSTUMANDO, NÃO O REJEITE PELA DOR
A DOR DE SER AMADO DO JEITINHO QUE SE É
A DOR DE SER QUERIDO SENDO AMANTE OU MENINA, AINDA MAIS SENDO MULHER
sábado, 15 de março de 2008
Paciência
Paciência
Lenine
Composição: Lenine e Dudu Falcão
Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaAté quando o corpo pedeUm pouco mais de almaA vida não pára...Enquanto o tempoAcelera e pede pressaEu me recuso faço horaVou na valsaA vida é tão rara...Enquanto todo mundoEspera a cura do malE a loucura fingeQue isso tudo é normalEu finjo ter paciência...O mundo vai girandoCada vez mais velozA gente espera do mundoE o mundo espera de nósUm pouco mais de paciência...Será que é tempoQue lhe falta prá perceber?Será que temos esse tempoPrá perder?E quem quer saber?A vida é tão raraTão rara...Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaMesmo quando o corpo pedeUm pouco mais de almaEu sei, a vida não páraA vida não pára não...Será que é tempoQue lhe falta prá perceber?Será que temos esse tempoPrá perder?E quem quer saber?A vida é tão raraTão rara...Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaAté quando o corpo pedeUm pouco mais de almaEu sei, a vida não páraA vida não pára não...A vida não pára!...A vida é tão rara!...
Lenine
Composição: Lenine e Dudu Falcão
Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaAté quando o corpo pedeUm pouco mais de almaA vida não pára...Enquanto o tempoAcelera e pede pressaEu me recuso faço horaVou na valsaA vida é tão rara...Enquanto todo mundoEspera a cura do malE a loucura fingeQue isso tudo é normalEu finjo ter paciência...O mundo vai girandoCada vez mais velozA gente espera do mundoE o mundo espera de nósUm pouco mais de paciência...Será que é tempoQue lhe falta prá perceber?Será que temos esse tempoPrá perder?E quem quer saber?A vida é tão raraTão rara...Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaMesmo quando o corpo pedeUm pouco mais de almaEu sei, a vida não páraA vida não pára não...Será que é tempoQue lhe falta prá perceber?Será que temos esse tempoPrá perder?E quem quer saber?A vida é tão raraTão rara...Mesmo quando tudo pedeUm pouco mais de calmaAté quando o corpo pedeUm pouco mais de almaEu sei, a vida não páraA vida não pára não...A vida não pára!...A vida é tão rara!...
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