quinta-feira, 10 de julho de 2008

Se ela sorrisse
Diria dela: é fácil
Mas como fica séria: metida
Se ela dançasse bem: piranha
Se não soubesse dançar: esquisita
Mas ela dança bem e não é piranha
O que dizer dela
Ela não é séria, mas é metida
Metida por que pode ser, é linda
Mas isso eu não digo dela
Por que se ela toca enquanto fala comigo
Está me dando mole
Mas quando fala comigo me dando as costas
Sinto-me preterido
Mas ela sorri, olha nos meus olhos e me toca
Não está me dando mole
Mas por ela me sinto querido
Então o que fazer desta mulher?
A única coisa que sei é
Ela mexe muito comigo
Mesmo se não me olha
Se não me toca
Ou sequer me ver
Sinto-a dentro de mim
Coisa estranha
Como pode isso ser?
Não faço idéia
Não quero tal mulher entender
Antes fosse vulgar, piranha e
Safada
Seria assim fácil
Ela eu esquecer
Como não é por aí
Fico sem entender
E por toda minha aflição
Passo sobre ela a escrever.

domingo, 6 de julho de 2008

"Vou te fazer uma confissão: estou um pouco assustada. É que não sei aonde me levará esta minha liberdade. Não é arbitrária nem libertina. Mas estou solta." (Água Viva / Clarice Lispector)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Minhas Divagações
Meus textos
em linhas e frases desconexas

Não sei o que querem dizer
Realmente não sei
Não sei se dizem a verdade
Ou mentira

Dizem a mescla das duas
Na projeção da realidade
que é enxergada parcialmente
por uma única vida

As divagações são traços,
flexas de luz nas brechas
da nuvem escura
do mistério da própria vida

As letras
A palavra
As frases

Refúgio dos que fogem
Refugo para os que se guardam
Mas na verdade é um baú que
revela segredos profundos de alma

A vergonha
O medo
A dor
A inocência
O desamparo
A luta
A vingança
O ódio
O amor
A amizade
A mediocridade
A mesmice
A alegria
Felicidade

Revela aquilo que queremos
revelar, mas não sabemos como

Meio de comunicação eficaz para os tímidos
Quando falar de si é o maior desafio
Quando se deixar tocar é extremamente desconcertante
E a realidade parece uma selva que a qualquer momento
poderá te engolir

...
Ela tinha o hábito de escrever
Escrevia sobre ela como se fosse outra pessoa
Falava da sua e dos seus medos
Mas sem deixar escapar nas frases
Que era de si que falava

Ela escrevia seus anseios e desejos
Suas frustrações, sonhos e realizações

Relatava do seu modo peculiar de enxergar
a vida
Colorida, rosa e envolta em densas trevas

Sempre pulando do leste para o oste
de Yin para Yang
do 8 para o 80

Sua meta de vida era equilibrar-se
Ser equilibrada em suas escolhas e decisões
Assim como em seu modo de viver e ver a vida

Já tinha percorrido um trajeto longo
Mas nada buscava
Nada queria
Não tinha para onde ir

Mas agora, já há algum tempo
Muita coisa estava diferente
Sonhava
Projetava
E lutava esperando vitória
sabendo para onde ir

Tinha um desafio a superar
Aprender a viver no mundo
real
Com pessoas reais
Abrindo mão de suas idealizações
e projeções infantis

Já tinha crescido, mas tinho mais a crescer
Muito a ouvir e a dizer
Muito a conquistar e compartilhar

Estava ansiosa e por isso escrevia
Escrevia sua história como se fosse
de uma outra pessoa
Assim ninguém saberia dos pormenores
de sua vida.
Ela era a existência
Flutuava entre santa e louca
Não sabia ser
Tinha medo de quem era
Medo de sua força

Era Lóri, personagem de Clarice Lispector
Era sim, uma Lóri
Não sabia existir senão pelo medo ou através
da dor
Isso lhe era comum
Fácil e cômodo

Não queria arriscar o diferente
então era a flutuação
entre a idiotice e a genialidade
Não sabia onde ficar, então
revezava entre os dois

Tinha medo de ir ao shopping sozinha
e medo de multidões
Medo do olhar das pessoas, medo de encará-las
E também tinha medo de comprar pão
sozinha de manhã

Ela era inteligentíssima mas fenomenalmente
boçal ao mesmo tempo
Tinha um humor genial
e tinha umas tiradas de surfista loiro

Um de seus maiores dilemas era ser uma mulher
Não gostava de ser mulher
Ser mulher na concepção dela era ser complicada demais
Realmente ela era
Mas não somente isso

Ser mulher lhe era sinônimo de fraqueza
e submissão obrigatórios
E se revoltava quanto a isso
Infelizmente a repressão não vinha de fora
Era de dentro dela que surgia
Isso tornou a luta mais intensa

Além de tudo sabia de seu grande desafio:
nascera no século XX, vivendo na sociedade
pós-moderna do século XXI com a mentalidade de mulher
do século retrasado!

Pior que Lóri, que deixou Ulisses lhe ensinar a viver através do prazer...
Essa clone de Lória não deixa um ser se aproximar dela. Tem medo de ser influenciada. Medo de transformar-se. É uma medrosa ao extremo!

terça-feira, 17 de junho de 2008

A cortina bailava
Ao sopro frio do vento
Na praia as ondas batiam
Dançavam o mesmo movimento

No quarto da janela eu via
O horizonte além me chamar
De casa queria que eu saísse
Para o mundo inteiro conquistar

Aquele era meu refúgio, meu amparo
Guardada do amor pelo mar
Não queria da segurança sair
Nem coisa alguma conquistar

Levantei fechei cortina e janela
Na esperança de não mais ouvir
O chamado de uma voz de esperança
Que insistente chamava por mim

Abracei o travesseiro e
Cobri-me da cabeça aos pés
Tentando em um sonho fugir
E permanecer isolada em segurança
De todo mistério do porvir

Mas janela cortina e paredes
Não foram suficientes para impedir
O clamor e a melodia amorosa
Que por todo o quarto começou a surgir

Levantei muito temorosa
Hesitante pelo que poderia vir
Mas num átimo ergui a cabeça
Confiante de o meu destino cumprir

Abri a janela e gritei alto
Que ao mundo iria sair
O abrigo mais seguro era eu
Eu que sempre morei em mim

sábado, 24 de maio de 2008

Seguindo os instintos

Eles cumprem o imperativo do instinto
Com a conivência das convenções sociais
Estão à caça
Estão à procura
Querem comer
São sedentos por carne
Leões famintos
Insaciáveis
Sempre à caça
Sempre à procura
Olhos aguçados
Faro apurado
Suas presas sabem cansar
Nunca desistem
Deixam nas em transe
Colecionam seus ossos,
Sobras da vida
Sugam o sangue
Degeneram a alma
Adoram sacrificá-las
E com selvageria
Saciam
Todos os seus desejos
Seguindo
Apenas seus instintos